História das eleições presidenciais no Brasil – eleição de 1950

Após comentários sobre a República Velha, Estado Novo e eleições de 1945, seguiremos agora com as eleições de 1950.

A eleição daquele ano foi caracterizada pela primeira participação de mídia e de um horário eleitoral, principalmente através do rádio e isso levou a uma participação maior do eleitorado brasileiro naquele pleito, mas além deste fenômeno, houve um outro fundamental para tamanha participação. O Brasil vivia um momento de transformação social e econômica, essencialmente pela expansão das indústrias, o que ocasionou uma grande migração da população rural para as cidades e na medida em que a população urbana crescia, o grau de politização destas pessoas crescia também.

Naquela eleição disputaram o cargo de presidente, o ditador Getúlio Vargas lançado pelo seu partido, o PTB, não por acaso, pois o partido tinha em sua base a classe sindical que já era grande no país; novamente o Brigadeiro Eduardo Gomes foi lançado pela UDN em aliança com o PRP; o nome lançado pelo PSD foi o de Cristiano Machado, fato curioso foi o termo criado a partir de sua candidatura lançada por uma ala insatisfeita do partido com a candidatura de Getúlio, mas que após o inicio da campanha viu-se fortes indícios de sua vitória, sendo assim, alguns líderes abandonaram Cristiano, dando origem ao termo Cristianização, fazendo alusão ao seu nome, que significa apoiar formalmente um candidato, mas na prática não votar nele e fazer campanha para outro candidato; e o baiano João Mangabeira foi o escolhido pelo PSB. Assim estava formado o quadro que disputaria a eleição daquele ano.

O jingle Ele Voltará assinado por Jair Gonçalves, editado por Jorge Duque Estrada, dizia: “Volte novamente excelência, volte para nossa presidência. Preferimos o Gege trabalhador. A nossa melhora depende do senhor. E ele voltou, marcando aquela eleição como a volta de Getúlio Vargas ao poder, sendo a primeira e única vez eleito pelo voto direto, aonde mais uma vez Vargas mostra sua visão política e poder de negociação, tardando a confirmação de sua candidatura por conhecer sua dificuldade de penetração no eleitorado paulista e enquanto costurava aliança, assim armou uma estratégia interessantíssima fechando acordo com o líder populista do PSP (Partido Social Progressista) de São Paulo, Ademar de Barros, sob a condição de não se candidatar, mas com a prerrogativa de indicar um vice de sua inteira confiança para concorrer na chapa de Vargas, e acabou na indicação de João Fernandes Campos Café Filho, popularmente chamado de João Café Filho.

Esta aliança me lembra a feita entre PT e PMDB em 2010. O PT é historicamente derrotado pelo PSDB no maior colégio eleitoral do país, São Paulo, então fecha acordo com PMDB que indica uma liderança do estado na tentativa de amenizar a diferença de votos.

Voltando há 1950. O fato de Vargas não alcançar mais de 50% dos votos, o leva a enfrentar uma forte resistência da UDN, puxada por Carlos Lacerda, que questiona a legitimidade da vitória, mas ainda não havia segundo turno, o que só passou a ocorrer na Nova República.

No dia 5 de agosto de 1954, o seu maior inimigo político, o jornalista Carlos Lacerda sofreu um atentado, o que detonou enorme crise em seu governo, pois Lacerda passou a acusá-lo de ser o mandante do crime. Neste atentado o jornalista leva apenas um tiro no pé e seu acompanhante, o major Rubens Florentino Vaz, foi morto com um tiro no peito. As investigações apontavam Gregório Fortunato, guarda-costas de Vargas como contratante dos pistoleiros, o que levaram militares e deputados a exigirem a renúncia de Getúlio, o que não ocorreu, mas culminou com seu suicídio na madrugada de 24 de agosto de 1954.

Assim concluímos as eleições de 1950 e na próxima semana falaremos das eleições de 1955.

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2 respostas para História das eleições presidenciais no Brasil – eleição de 1950

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