História das eleições presidenciais no Brasil – 1955

Após falarmos das eleições de 1950, damos agora sequência a história das eleições presidenciais no Brasil, chegamos nesta semana à eleição de 1955 que em decorrência do suicídio de Getulio Vargas, em agosto de 1954, ela quase não aconteceu.

Naquele momento o país vivenciava um fato inédito em nossa história, a comoção nacional era grande, a carga de dramaticidade era aparente entre o povo brasileiro, que foi o suicídio de um presidente, mais do que isso era um líder populista muito amado pelo povo e que era rotulado como o “Pai dos pobres”, assim como Lula foi durante o período de seu governo.

Atribui-se este suicídio a forte crise entre governo e oposição, em destaque os líderes da UDN, mas de todo este contexto de sofrimento popular e crise política, criou-se excelente cenário favorável à candidatura de Juscelino Kubitschek de Oliveira, que nesta campanha eternizou o slogan “50 anos em 5” (50 anos de progresso em 5 anos de governo).

Juscelino Kubitschek lançou candidatura pelo partido que ajudou a fundar, o PSD, que desavergonhadamente o prefeito Gilberto Kassab tentou usar a imagem de Juscelino ao ressuscitar a sigla. A UDN pela primeira vez, desde 1945, não lança o Brigadeiro Eduardo Gomes ao cargo, mas sem abrir mão do apoio dos militares, sendo o nome da vez o do tenentista Juarez Távora, que teve forte presença no governo de Vargas, mas no período de 1930. E o terceiro opositor era a grande força populista de São Paulo, Ademar de Barros – PSP, que havia fechado acordo com Getúlio nas eleições passada para não lançar candidatura e o apoiar, e sua presença, penso eu, foi fundamental para o resultado das eleições, pois ele acabou dividindo os votos não getulistas e pessedistas.

Juscelino Kubitschek foi governador pelo estado de Minas Gerais no período em que Vargas foi presidente em seu segundo mandato, o que gerou forte aproximação e convergência de ideias entre os dois, desta forma Juscelino acaba herdando o trabalhismo de Vargas. E entendendo bem o sentimento do povo brasileiro quanto à morte de Vargas, Juscelino se posicionou perfeitamente como o seu herdeiro político, que daria continuidade ao getulismo e ao trabalhismo, o que pesou fundamentalmente em sua eleição. Outro diferencial de Juscelino era o fato de ele fugir das características padrões de seus correligionários, que eram todos de caráter negociadores políticos e especialistas em conchavos, se fazendo notável por ser um grande empreendedor ou tocador de obras.

Outra manobra de Juscelino, digna de nota, foi a escolha estratégica do candidato à vice em sua chapa, João Goulart, que era um líder gaúcho e que havia sido ministro do trabalho no governo Vargas, e pela ocupação deste posto ele era verdadeiramente o grande herdeiro do trabalhismo. Lembrando que naquela época votava-se separadamente, ou seja, o eleitor poderia votar em candidatos de diferentes chapas. Uma característica das eleições brasileira após 1945 era a mudança das leis eleitorais de um pleito para o outro, e estas mudanças possibilitou Juscelino a fazer campanha usando o seu horário eleitoral para ensinar o povo a votar, o que melhorou ainda mais sua imagem.

Juscelino foi o primeiro candidato a apresentar um plano de metas, foram mais de 30 divididas em 6 grupos: energia, transporte, alimentação, indústria de base, educação e a mais importante, a construção de Brasília, a nova capital do Brasil. Buscava-se com a mudança da capital, que era no litoral brasileiro, o desenvolvimento do interior do país e esta ideia encantou o país, e foi assim que Juscelino Kubitschek de Oliveira tornou-se  o 20º presidente República Federativa do Brasil.

Devido à grandiosidade que foi a construção de Brasília, o governo de Juscelino foi marcado pelo alto índice de corrupção, o que acaba caracterizando qualquer governo de grandes realizações, por exemplo, o governo de Lula, um dos mais corruptos de toda a história do país, fato que não justifica este abominável ato em uma gestão pública, e com isso só quem sofre é o povo, não acham? Mas enfim, tudo isso, infelizmente, faz parte de um grande plano de poder, pois de alguma maneira tem que haver o financiamento deste plano, e quem financia? O povo, claro!

É isso, voltaremos na próxima publicação com as eleições de 1960.

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3 respostas para História das eleições presidenciais no Brasil – 1955

  1. Sandro Kuschnir disse:

    Caro Jefferson: Getulio, Juscelino tempos que ilustram uma fase da política muito intensa e com a qual podemos aprender muito.
    Muito legal.

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