História das eleições presidenciais no Brasil – 1960

Semana passada falamos das eleições de 1955 e agora vamos às eleições de 1960, que foi realizada sob a influência da recém criada Brasília, aonde o presidente eleito iria pela primeira vez tomar posse.

O governo anterior, de Juscelino Kubistchek, foi marcado por várias denúncias de corrupção e desvio de verbas públicas em decorrência da grandiosa obra realizada na construção da capital federal, e o saldo final de seu governo desenvolvimentista foi uma dívida externa de US$ 3,802 bilhões, um déficit orçamentário em potencial para 1961 na casa  de CR$ 108 bilhões e uma inflação anual de 25%, que penalizava as classes mais baixas e os trabalhadores que deixavam de acreditar no modelo do desenvolvimentismo.

Em uma campanha eleitoral a correta leitura de cenário é passo fundamental para a vitória, não bastam uma campanha visual bonita ou um jingle de fácil lembrança, é preciso mais. É preciso conhecer o passado para apresentar propostas para o futuro e foi exatamente isso o que Jânio Quadros fez nas eleições de 1960.

Atento a insatisfação generalizada do país em decorrência das inúmeras denúncias de corrupção no governo anterior, Jânio Quadros se posicionou adequadamente a realidade que se apresentava naquele momento. Primeiramente ele aparecia nos comícios vestindo-se de maneira simples, com cabelos despenteados, barba por fazer, com caspas sobre os ombros e com sanduíches de mortadela no bolso, um verdadeiro artista, outro Lula da Silva, para se aproximar do eleitorado e prometendo varrer toda corrupção do Brasil, alimentando assim em diversas classes sociais as esperanças de uma profunda e verdadeira mudança em suas realidades.

E toda a sua estratégia e comunicação foram direcionadas neste sentido, de acabar com a corrupção no país, conter o aumento da inflação e melhorar a vida da população. Esta foi a primeira vez que houve uma presença forte do marketing eleitoral em uma campanha presidencial no Brasil.

Jânio adotou como símbolo de sua campanha uma vassoura, que varreria toda corrupção, como diz o já eternizado jingle: “Varre, varre vassourinha. Varre, varre a bandalheira. O povo já está cansado de sofrer desta maneira. Jânio Quadro a esperança deste povo abandonado”. Para muitos o maior jingle de todos os tempos da história política do país. Realmente a letra sintetiza o conceito criado para a campanha de Jânio em decorrência da realidade daquele momento do Brasil.

Outra peça criada seguindo o conceito e mostrando a realidade econômica foi o comercial de TV, que retrata uma família discutindo o aumento do preço do leite devido à inflação. Veja aqui.

Naquela ocasião os seus opositores foram o Marechal Henrique Teixeira Lott, da conhecida aliança PSD e PTB, símbolo maior da tranquilidade dos 5 anos de governo de JK, com uma figura extremamente conhecida pela transparência e lisura de caráter; e o já conhecido líder popular paulista, Ademar de Barros, do PSP. Jânio era do Partido Democrata Cristão, o PDC, em aliança com a UDN.

Nesta eleição o candidato a vice-presidente ainda era votado separadamente, e isso ajudou a vitória de Jânio, pois se popularizou a dupla Jan-Jan, sendo criados milhares de comitês espalhados pelo Brasil com este nome, mas o que chama a atenção é o fato de Jango, João Goulart, não ser o candidato a vice de Jânio, e sim do Marechal Lott. Ambos foram eleitos naquele ano, pois Jango àquela altura, em 1960, ainda carregava a bandeira do trabalhismo e de um trabalhismo exclusivamente identificado com Getúlio Vargas, político que mesmo morto, estava presente nas eleições. Casos assim, ainda são comuns em nosso país. A ideia de herança política, pura ladainha para ludibriar o povo. A cada nova eleição busca-se ressuscitar políticos mortos ou usar força política dos vivos, mas sem mandato, o que Lula fez muito bem em 2010 e fará de maneira ainda mais evidente em 2012. Vamos acompanhar de perto esta evolução e nos conscientizarmos de que ele não exercerá mandato algum. Fica a dica e até semana que vem, quando falaremos do período militar e eleições indiretas.

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3 respostas para História das eleições presidenciais no Brasil – 1960

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  3. kelly andressa disse:

    achei muito legal a historia das eleicoes presidenciais no brasil em 1960 , me ajudou muito no trabalho da escola.

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